domingo, 12 de maio de 2013
quinta-feira, 9 de maio de 2013
?
Confusão é quando você sabe exatamente do que seu coração precisa e mesmo assim prefere ouvir os pensamentos racionais de uma mente congestionada. É quando você mata todos os sentimentos e medita no que precisa ser pensado. É quando você percebe que mesmo fazendo tudo isso e se vestindo de racionalidade, maturidade e todas as 'dades' a mais, o seu coração ainda está ali gritando pelo que precisa. Então você confuso não entende nada. No fim, tudo que é de verdade perdura. E tu sabes meu caro, coração não mente.
Annabel Laurino
I Feel Like Disappearing
Não sei como começar isso. Não sei como dar partido nessa coisa sem pé e sem cabeça que de repente se tornou tudo. Mas que tal uma musica do Chorão, aquela que todo mundo ouve quando ta pê da vida e ao mesmo tempo quase querendo começar a agarrar um travesseiro. Você sabe.
"Eu tentei me manter afastado, mas você me conhece, eu faço tudo errado. Tudo errado.".
Funciona bem para o momento. Eu que to tentando abandonar tudo e até eu mesma. Não sei como se faz isso ainda, eu não sei como cortar laços com esse ser que sou eu e sempre fui desde que me conheço por bicho vivo e gritante. Você sabe? Você sabe como abruptamente deixar de ser? Como se tornar qualquer coisa menos você mesmo?
Tentei não falar a respeito, tentei não escrever a respeito, tentei se quer pensar a respeito. E quer saber? Não deu certo. Não deu certo ou eu não tentei de verdade, não sei. Só sei que é difícil cara, é difícil e tem doído muito. Agora mesmo, eu escrevo tudo isso com uma sensação dolorida no peito, e pode apostar, não é fácil.
Não é fácil de repente você ver tudo que você acredita indo por água a baixo em questão de segundos sem ter nem se quer a chance de ser ouvida enquanto grita para que por favor não façam isso. Não é fácil ver o quanto tudo que você mais ama vai embora ou as pessoas a sua volta que você mais confia de repente te decepcionam. Não é fácil se sentir sozinho e frustrado. Sim, depois de tudo que aconteceu, essa é uma palavra que se encaixa bem para mim. "Frustrada".
Todos os sonhos pisoteados, todas as coisas arrancadas e jogadas em qualquer lugar.
Tentei não chorar, tentei não me sentir mal, tentei recitar frases filosóficas do tipo ' não importa o que as pessoas façam com você, importa o que você faz com isso.'. No results man. Chorei e sofri igual, na mesma medida descontrolada de alguém que gradativamente entra em crise. Simplesmente não funciona quando se trata de amar muito aquilo que você está perdendo.
Eu podia ter enlouquecido sabe, como antigamente. Fugindo de tudo e todos, fazendo bobagem, dormindo com a mente vazia e acordando sem saber o que aconteceu noite passada. Eu podia ter feito tudo exatamente da mesma forma do que antes e eu sei que teria funcionado, eu sei que teria dado certo depois de algum tempo de desgaste físico, emocional e perdas de valores consideráveis.
Acontece que eu li em algum lugar que a dor deve ser sentida. E é isso ai. Não torna nada mais fácil, acredite, mas eu penso todos os dias que se de repente eu ficar aqui quietinha aonde eu estou e só simplesmente esperar a dor sair, então quem sabe ela canse de mim e vá embora um dia.
Eu não ia mais escrever. Eu não ia mais contar sobre como as coisas estão ruins, eu queria falar de sol, haliantos, frio, fins de tarde, cheiro de alfazema, incensos de café, flores, paz, sorriso bonito e lusco-fusco dos dias. Mas não tem como evitar.
É fato que quando você tende a entrar nessas crises você aceita sua passagem de primeira classe para o mundo encantado dos solitários sem vez. Primeiro porque as pessoas não gostam de gente que se queixa da vida e sofre e tem problemas e não finge o tempo todo que tudo está bem, como elas fazem. Segundo porque automaticamente eu comecei a me afastar, de tudo e todos. De repente tudo ficou tão pequeno.
Matando sentimentos todos os dias. Matando esperança, sonhos antigos, sonhos em que eu teria alguém para me salvar disso tudo e me fazer feliz e me colocar um sorriso nos lábios que durasse mais do que alguns segundos e com quem eu viajaria para Paris, quem sabe, e quem me beijaria depois de uma briga dizendo que mesmo eu sendo uma louca total, uma drama queen escandalizada, nada nesse mundo seria suficiente para nos separar. Sonhos em que uma família não se despedaça assim, desse jeito, em que eu chegaria em casa e teria um abraço fraterno para deitar o rosto no ombro e dizer como foi meu dia. Sonhos assim, simples e que fazem falta quando você pensa que são só a base de felicidade e amor. Quem nesse mundo não quer isso? Me diz quem. Paz e amor.
Dói muito desacreditar de tudo. Dói muito simplesmente ir dormir com a certeza de que nada mais é esperado. Tudo foi por água a baixo meu caro, eles mataram os meus sonhos.
Sim, eu tentei me manter afastada, eu tentei fazer com que ninguém soubesse disso. Eu ainda tento. Todos os dias eu passo minha maquiagem de superficialidade e finjo que está tudo bem, que eu sou feliz, que eu sou incrivelmente feliz e nada me faz falta. É isso que todos fazem e eles nem se quer desconfiam porque estão ocupados de mais fingindo também para notarem na minha atuação fajuta e descarada.
Mas depois que a farsa termina eu ainda sou eu mesma novamente, sozinha no meu quarto, ruminando minha tristeza dolorida e sentindo esse gosto amargo de se estar só e incrivelmente só, acompanhada sempre da sensação de susto, enquanto a queda é longa e nenhuma mão venha sacudir meu corpo e me acordar desse sonho confuso, me alertando que o café da manhã está servido e um novo dia começa. Uma vida nova. Um novo eu e um novo tudo.
Mas depois que a farsa termina eu ainda sou eu mesma novamente, sozinha no meu quarto, ruminando minha tristeza dolorida e sentindo esse gosto amargo de se estar só e incrivelmente só, acompanhada sempre da sensação de susto, enquanto a queda é longa e nenhuma mão venha sacudir meu corpo e me acordar desse sonho confuso, me alertando que o café da manhã está servido e um novo dia começa. Uma vida nova. Um novo eu e um novo tudo.
Enquanto isso, continuo em queda.
Like disappearing.
Annabel Laurino
terça-feira, 7 de maio de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
Des-espera
Não esperar nada, de ninguém. Isso tem ajudado tanto, feito tanta diferença ultimamente. Cargas mais leves e fluidos melhores. Sem pesos que não se consiga suportar, e agora todos os pesos são somente meus. De mais ninguém. As mãos continuam quentinhas e quietinhas dentro dos bolsos sem manifestar qualquer gesto adiante para carregar as malas pesadas de alguém.
E não é isso o que todos sempre pedem? "Não cuide de mim, eu me viro sozinho, você não pode resolver tudo por mim...". Segui o conselhos elementares meu caro. E agora, egoismo ou não, eu sigo em frente sem olhar para os lados, por que é isso que todos querem. Que você não se intrometa, que você não tente cuida-los. Acho que todos nós no fundo queremos seguir com as nossas próprias ideologias para algum lugar qualquer, mesmo que um lugar de nada, a gente não quer ninguém na nossa cola dizendo o que devemos ou não fazer. E tanto faz na verdade. Fico apática a qualquer coisa, qualquer movimento muito próximo.
Não vou mentir. As vezes queria tantas coisas, tantas atitudes das pessoas, que nunca vêem. Queria tanto que alguém um dia dedicasse uma musica em meu nome, ou que escrevesse sobre mim. Queria tanto ver uma dessas coisas assim, alguém se esforçando por mim, jogando todos seus medos, seus traumas, suas falhas, seus vazios, mudando, escalando montanhas, só para estar perto e então ficar.
Faz parecer que se pede um milagre, quando tudo que eu peço na verdade são as mesmas coisas que doou desproporcionalmente. E fico só. Sempre só, esperando.
Foi dai então a ideia de virar um cactus gigante e verde, e cheio de apatia e indiferença e não esperar nada e nem mesmo mais contar os dias. Não revolucionou grandes diferenças, as coisas continuam a não chegar, mas dói menos. Quase nem sinto nada. É mais fácil.
Não vou mentir. As vezes queria tantas coisas, tantas atitudes das pessoas, que nunca vêem. Queria tanto que alguém um dia dedicasse uma musica em meu nome, ou que escrevesse sobre mim. Queria tanto ver uma dessas coisas assim, alguém se esforçando por mim, jogando todos seus medos, seus traumas, suas falhas, seus vazios, mudando, escalando montanhas, só para estar perto e então ficar.
Faz parecer que se pede um milagre, quando tudo que eu peço na verdade são as mesmas coisas que doou desproporcionalmente. E fico só. Sempre só, esperando.
Foi dai então a ideia de virar um cactus gigante e verde, e cheio de apatia e indiferença e não esperar nada e nem mesmo mais contar os dias. Não revolucionou grandes diferenças, as coisas continuam a não chegar, mas dói menos. Quase nem sinto nada. É mais fácil.
Annabel Laurino
Texto escrito 22 de julho de 2012
sábado, 4 de maio de 2013
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"Olhe, não fique assim, vai passar. Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai aguentar mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar. Dor é assim mesmo, arde, depois passa. Que bom. Aliás, a vida é assim: arde, depois passa. Que pena. A gente acha que não vai aguentar mas aguenta as dores da vida. Pense assim: agora tá insuportável, agora você queria abrir o zíper, sair do corpo, encarnar numa samambaia, virar um paralelepípedo ou qualquer coisa inanimada, anestesiada, silenciosa. Mas agora já passou. Agora já é dez segundos depois da frase passada. Sua dor já é dez segundos menor do que duas linhas atrás.Você acha que não porque esperar a dor passar é como olhar um transatlântico no horizonte estando na praia. Ele parece parado, mas aí você desvia o olho, toma um picolé, lê uma revista, dá um pulo no mar e quando vai ver o barco já tá lá longe. A sua dor agora, essa fogueira na sua barriga, essa sensação de que pegaram sua traqueia e seu estômago e torceram como uma toalha molhada, isso tudo - é difícil de acreditar, eu sei - vai virar só uma memória, um pequeno ponto negro diluído num imenso mar de memórias. Levante-se daí, vá tomar um picolé, ler uma revista, dar um pulo no mar. Quando você for ver, passou. Agora não dá mesmo pra ser feliz. É impossível. Mas quem disse que a gente deve ser feliz sempre? Isso é bobagem. "É melhor viver do que ser feliz". Porque pra viver de verdade a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, dói demais. Mas passa. Tá vendo a felicidade ali na frente? Não, você não tá vendo, porque tem uma montanha de dor na frente. Continue andando. Você vai subir, vai sentir frio lá em cima, cansaço. Vai querer desistir, mas não vai desistir, porque você é forte e porque depois do topo a montanha começa a diminuir e o único jeito de deixá-la pra trás é continuar andando. Você vai ser feliz. Tá vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto de agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que tô falando a verdade. Eu não minto. Vai passar."
Caio Fernando Abreu
sexta-feira, 3 de maio de 2013
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E talvez seja isso então. Talvez seja assim mesmo. Somos nós os solitários que colorimos o mundo para aqueles que sabem viver.
Annabel Laurino
quinta-feira, 2 de maio de 2013
Winter Lady
Sei que você sabe que eu começarei falando que está chovendo lá fora e eu estou aqui novamente em mais um dia chegando ao fim junto com a rapidez que esfria o meu café preto do meu lado. Sei que você sabe exatamente o que eu penso enquanto olho para um lugar qualquer através das janelas e fico suspirando devagarzinho enquanto ouço aquela musica que fala de um ultimo beijo.
Eu não posso evitar. É toda essa energia que fica no ar, essa atmosfera compressora, nostálgica e etc, você sabe, aquela minha inclinação para ser poética, eu simplesmente não consigo evitar. São essas tardes que escurecem rápido, as filas nas praças para pegar o ônibus, o cheiro do café com o frio assomando lá fora e a chuva caindo fraca, as pessoas e suas roupas novas para a estação que chega. Tudo isso toca, sabe, toca que nem uma musica lenta.
Mas eu estou tentando não ser mais nostálgica, e eu sei, é quase impossível dando-se minha natureza por si já conhecida, mas eu tenho tentado. Nos últimos dias provei de um sabor antigo e que eu nem lembrava mais, o da solidão. Pela primeira vez depois de muito tempo eu fiquei completamente só comigo mesma e você não vai acreditar, mas eu me senti feliz depois que o susto foi embora. Porque claro que teve um susto, foi como se eu fosse jogada numa piscina de água fria, de repente todas aquelas relações sendo cortadas sem quase nenhuma explicação que me confortasse. E nada e nada. Foi um susto daqueles. Dormi mal durante algumas noites e em outras eu fiquei completamente acordada tentando entender o que tinha acontecido.
Não que eu entenda completamente agora. Na verdade eu arrisco dizer que o entendimento de tudo isso nunca virá ao meu alcance, e acho até melhor assim, já doeu uma vez e não quero que doa novamente, então prefiro que fique um silêncio absoluto sobre isso e que o caso de-se como decretado. Você sabe, certas coisas é melhor não se saber.
Então depois que o drama mexicano passou, eu me acostumei, veja só. Criei em mim aquela antiga doçura de estar só consigo mesmo e gostar dessa sensação. Comecei a curtir cada segundo novo e que antes eram desperdiçados em vão, comecei a amar essa sensação renovada que não veio com sol forte e nem tempo de verão. Você sabe, eu sempre fui do contra então a minha fase renovada tem folhas secas e tempo frio com direito a chuva e cachecóis bonitos e cabelos esvoaçantes num vento gelado de final de tarde. Meu tempo renovado tem gosto de café com direito a novas descobertas que só o tempo irá dizer.
Entendi que não valia a pena todo aquele drama, entendi que tudo passa porque tem que passar e é assim que sempre vai ser. É como eu disse, algumas coisas não servem para serem entendidas, servem apenas para você se conformar, porque é assim que é. E eu me conformei, com a falta de tudo que poderia simplesmente ter faltado, me conformei com tudo que aconteceu e deixou de ser e então morreu. Mas isso não quer dizer que foi o fim, não, para mim pelo menos não. Foi apenas o meu impulso vital do que eu chamaria de regresso de mim mesma.
Como se eu acabasse de fazer uma viagem longa e cansativa, meus pés ainda doem mas é realmente ótimo ter voltado para casa finalmente. Para a minha casa, que é aqui onde eu realmente estou agora, dentro de mim mesma, porque ainda não tenho um outro lar para o qual eu possa me esconder, eu ainda não encontrei a minha outra casa além de mim mesma. Mas não importa. Não importa que eu esteja absolutamente só e que meu coração simplesmente se negue a confiar novamente até mesmo na sombra de uma árvore ou num projeto de luz que se encaminhe adiante, não importa porque eu finalmente reaprendi a respirar sem tubo de oxigênio auxiliar, mesmo que seja doloroso as vezes, é necessário sobretudo.
Regressar é sempre bom e sentir as cobertas macias da minha cama me confortam toda noite, porque mesmo com as marcas que eu fiquei depois que tudo aconteceu, eu sei que toda manhã quando o sol fustigar na minha cara desmantelada de sono será um dia a mais, um dia a mais que eu estarei esquecendo, um dia a mais que eu estarei ficando melhor, um dia a mais que tudo isso estará ficando para trás e as feridas cicatrizando. Até que um dia eu esteja realmente pronta para respirar fundo, quem sabe num inverno adiante, quem sabe nesse mesmo, com chuva ainda, e olharei para fora da janela, você saberá o que eu estarei pensando, você sempre saberá. Soltarei um suspiro, dessa vez de satisfação e pensarei com meus botões que 'sim, eu estou pronta para outra até mais adiante ou agora. Eu estou pronta.". E esse dia, você sabe, vai chegar.
Eu não posso evitar. É toda essa energia que fica no ar, essa atmosfera compressora, nostálgica e etc, você sabe, aquela minha inclinação para ser poética, eu simplesmente não consigo evitar. São essas tardes que escurecem rápido, as filas nas praças para pegar o ônibus, o cheiro do café com o frio assomando lá fora e a chuva caindo fraca, as pessoas e suas roupas novas para a estação que chega. Tudo isso toca, sabe, toca que nem uma musica lenta.
Mas eu estou tentando não ser mais nostálgica, e eu sei, é quase impossível dando-se minha natureza por si já conhecida, mas eu tenho tentado. Nos últimos dias provei de um sabor antigo e que eu nem lembrava mais, o da solidão. Pela primeira vez depois de muito tempo eu fiquei completamente só comigo mesma e você não vai acreditar, mas eu me senti feliz depois que o susto foi embora. Porque claro que teve um susto, foi como se eu fosse jogada numa piscina de água fria, de repente todas aquelas relações sendo cortadas sem quase nenhuma explicação que me confortasse. E nada e nada. Foi um susto daqueles. Dormi mal durante algumas noites e em outras eu fiquei completamente acordada tentando entender o que tinha acontecido.
Não que eu entenda completamente agora. Na verdade eu arrisco dizer que o entendimento de tudo isso nunca virá ao meu alcance, e acho até melhor assim, já doeu uma vez e não quero que doa novamente, então prefiro que fique um silêncio absoluto sobre isso e que o caso de-se como decretado. Você sabe, certas coisas é melhor não se saber.
Então depois que o drama mexicano passou, eu me acostumei, veja só. Criei em mim aquela antiga doçura de estar só consigo mesmo e gostar dessa sensação. Comecei a curtir cada segundo novo e que antes eram desperdiçados em vão, comecei a amar essa sensação renovada que não veio com sol forte e nem tempo de verão. Você sabe, eu sempre fui do contra então a minha fase renovada tem folhas secas e tempo frio com direito a chuva e cachecóis bonitos e cabelos esvoaçantes num vento gelado de final de tarde. Meu tempo renovado tem gosto de café com direito a novas descobertas que só o tempo irá dizer.
Entendi que não valia a pena todo aquele drama, entendi que tudo passa porque tem que passar e é assim que sempre vai ser. É como eu disse, algumas coisas não servem para serem entendidas, servem apenas para você se conformar, porque é assim que é. E eu me conformei, com a falta de tudo que poderia simplesmente ter faltado, me conformei com tudo que aconteceu e deixou de ser e então morreu. Mas isso não quer dizer que foi o fim, não, para mim pelo menos não. Foi apenas o meu impulso vital do que eu chamaria de regresso de mim mesma.
Como se eu acabasse de fazer uma viagem longa e cansativa, meus pés ainda doem mas é realmente ótimo ter voltado para casa finalmente. Para a minha casa, que é aqui onde eu realmente estou agora, dentro de mim mesma, porque ainda não tenho um outro lar para o qual eu possa me esconder, eu ainda não encontrei a minha outra casa além de mim mesma. Mas não importa. Não importa que eu esteja absolutamente só e que meu coração simplesmente se negue a confiar novamente até mesmo na sombra de uma árvore ou num projeto de luz que se encaminhe adiante, não importa porque eu finalmente reaprendi a respirar sem tubo de oxigênio auxiliar, mesmo que seja doloroso as vezes, é necessário sobretudo.
Regressar é sempre bom e sentir as cobertas macias da minha cama me confortam toda noite, porque mesmo com as marcas que eu fiquei depois que tudo aconteceu, eu sei que toda manhã quando o sol fustigar na minha cara desmantelada de sono será um dia a mais, um dia a mais que eu estarei esquecendo, um dia a mais que eu estarei ficando melhor, um dia a mais que tudo isso estará ficando para trás e as feridas cicatrizando. Até que um dia eu esteja realmente pronta para respirar fundo, quem sabe num inverno adiante, quem sabe nesse mesmo, com chuva ainda, e olharei para fora da janela, você saberá o que eu estarei pensando, você sempre saberá. Soltarei um suspiro, dessa vez de satisfação e pensarei com meus botões que 'sim, eu estou pronta para outra até mais adiante ou agora. Eu estou pronta.". E esse dia, você sabe, vai chegar.
Annabel Laurino

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“Sou um ser do tipo sanguíneo que oscila muito. Tenho momentos de extrema alegria e momentos de profunda depressão. Não obedeço a uma agenda: hoje vou sentir isso, amanhã vou sentir aquilo. Reajo aos acontecimentos à medida em que o ambiente reage sobre mim. Mas como sou hipersensível, as coisas têm às vezes um valor que a maioria das pessoas acham ridículo. Mas eu sou assim mesmo. Por exemplo, às vezes fico furiosa com uma pessoa cujo problema talvez, você contornasse com um simples puxão e orelha. Ao mesmo tempo, tomei agora consciência de que essa não é uma atitude lógica e estou procurando me reestruturar.”
- Elis Regina em entrevista a Clarice Lispector
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