sexta-feira, 28 de setembro de 2012

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"Tem princípios iguais os da mãe. Mas se acha careta, às vezes. Não cede, mesmo só. Adora sexo, embora não faça com a mesma frequência do desejo. Sente raiva por ser secretamente boba, romântica e demodê."




Gabito Nunes

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

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"Sou daqueles que, se você não fizer 36 polichinelos na minha frente, com uma placa “eu gosto de você” pendurada balançando no pescoço, jamais terei certeza."



Gabito Nunes

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Paraíso Solitário, guerreira vazia e seu elmo forjado


    Não tenho medo de voltar atrás. Essa história de que desistir é para os fracos, eu não caio. Eu não persisto naquilo que não me agrada, eu não entro na guerra porque simplesmente quero perder a cabeça, não vou desembainhar minha espada para ver meu combatente enfiar-me sua lança sobre meu peito e ver a mim mesma tombar ao lado. Não vou continuar uma jornada sem motivos, sem motivação, sem paixão. Não irei até o fim do caminho arrastando meus pés sobre espinhos se a esperança já morreu, se já mataram a rainha, se já roubaram e incendiaram todas as casas e as crianças já foram sequestradas. Não irei. Nem que o sol esteja ao pico e meu bebedouro cheio de água, sem motivos eu não continuo, sem paixão, eu não entro. Nesse caso eu volto atrás mesmo, eu me escondo, ou eu pego minhas coisas e fujo, sem dar explicação e satisfação.
    Por que tão fria? Eu me pergunto as vezes, passando em frente ao vidro frio de uma janela suja de um prédio qualquer dessa cidade, vendo um rosto infantil, feição dura, tão descarnada de emoção. Mas não seria fria meu titulo. Desesperançada, talvez. Simplesmente, desesperançada.
    Mas permita-me esclarecer que caso eu, entrando em arena de combate, não sairia. Sim, eu, motivada, com a paixão fervendo nas veias, não sairia de lá até que derrotasse todos os leões, todos os gladiadores medievais e os mais bravos lutares e destruísse todas as suas espadas mais copiosas e perversas. 
    Porque ainda não aprendi a ter medo. E não tenho medo. Não tenho medo que me firam, que me prendam, que me instiguem e que zombem de mim pelas costas. Não tenho medo do que me agride a carne. Eu tenho mágoas. Receios. Tristezas e saudades. Isso sim, eu tenho forjadas em meu elmo. Mas  sigo movida por motivações, por paixão, por arte, por musica, por beleza, por histórias, pelo diferente, pelo belo e surreal. Sou movida por amor, por tentativas, por verdade. Sou livre, livre e incontestavelmente egoísta, sim, mas ainda assim, verdadeira. Adoro uma verdade que machuque. Uma verdade que perdure. Simplesmente, uma verdade.
     Sim, verdades. Pois assim, não me toque, não me queira e nem me fale sobre amores, vida, paixões e tempos provindos se não sabes como cuidar do que dizes mais amar. Não se pode fazer promessas e nem proclamar amores hoje em dia, nunca se sabe o dia de amanhã. E eu, quase sempre, nem mais me surpreendo. Sem surpresas, entrei apática ao mundo das relações não vindouras. E me esqueci como regressar. Segui sem rumo sobre meu cavalo alado, minha espada esquecida, achando bonito o paraíso solitário do não sentir.


Annabel Laurino

domingo, 23 de setembro de 2012

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"Acontecem coisas estranhas quando estou num espaço muito amplo. Uma vontade de voar, parece que bastaria abrir os braços para fundir-me com o céu. Ao mesmo tempo, dá vontade também de ficar na terra, e viver, viver muito, com todas as miudezas do cotidiano. Impressão de ser maior que tudo, sensação de força, certeza de vitória, vitória tão certa e fácil como a coisas da natureza que se mostram ali."


— Caio Fernando Abreu.

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"Veja, os meus cabelos estão molhados, caminhei horas pela chuva querendo e não querendo procurar você.”

 Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

All My Love


    Então eu deveria ter medo de caso você deixasse de me amar? Bem, desculpa vai, mas eu não tenho. E talvez eu nunca tenha. Não sei como ser assim, obsessiva com algo que simplesmente não exige de força para que exista.
    Seria a mesma coisa que obrigar um peixe a respirar fora do aquário por um tubo de oxigênio, seria manobrável, útil, utilizável, etilizado e bruto. Obrigar a lei das coisas que simplesmente fluem por que assim são.
    Não vou dizer pra você que você sabe onde é a porta e que pode ir embora a hora que quiser, porque já é um fato que você sabe onde é a porta e o outro fato é que eu não quero que você vá embora. Mas entre o meu querer e a simples força do universo, eu não obrigarei você a ficar aqui do lado, dividindo a astral de um dia ruim ou bom, quero você aqui por inteiro, você querendo, você ficando porque quer ficar mais do que um futebol com os amigos ou uma partida de videogame, uma festa qualquer, uma loucura de final de semana.
    Eu não vou te ligar de cinco em cinco minutos para saber onde você está e com quem você está e só pra saber se você ainda me ama como me amava a cinco minutos atrás, desde que nos vimos. E nem vou dizer pra você que seu sábado é só meu, que você tem a obrigação de me ver.
    Sei que parece que não me importo, desse jeito. E nem é isso. Eu me importo sim, eu reparo sim. Eu analiso todas as tuas formas, tuas faces, felizes e tristes, e sei quando tua mente ta bagunçada, quando ta levinha e arrumada, já gravei na memória tua risada alta e sei como meu cérebro corresponde muito feliz quando registra teu sorriso na minha retina. E não quer dizer que eu não me importo só porque eu não controlo o quanto de amor você tem por mim e até onde ele pode durar.
    Acho que as coisas leves, meu amigo, funcionam melhor, elas duram no tempo sem registro ou obrigação de espaço, elas crescem, inflam, flutuam, rodopiam, deixam marcas e lembranças e quando a gente percebe elas nos acompanharam a vida inteira, porque simplesmente cresceram com um cuidado e amor diário, sem cobranças futuras e exigências extremas, elas respiraram como deveriam, sem mais, sem menos, e fluíram.
    Se você parar para ver, a maioria do nosso caminho até aqui, surgiu assim.



Annabel laurino.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

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“Falando sério, tenho andado bastante sozinho, sobretudo ultimamente. É um tempo de agitações, de ímpetos de impaciência, ansiedade e mau humor. Contando com a resolução das coisas, que chegue logo um futuro que sei que virá, sabendo que nada mais depende de alguma ação minha. Só da minha habilidade em esperar. E isso me lembra que não há mais com quem contar, além do tempo. Que ando meio sozinho e assim eu quis, de certa forma.”



Gabito Nunes

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"E eu sou crua, penso mais em mim. Chamam de egoísmo o que eu denomino defesa própria, ninguém pode ter em suas mãos o direito de me fazer chorar, por motivos tão minúsculos e eu ainda consentir. Não, sou fechada a sentimentos desde que sejam provados, deixei de acreditar na farsa que é o eu te amo, dito tão firmemente que quase me fez acreditar que era verdade. Sou a favor das atitudes e da felicidade, vivida e não falada. Trago um peito cheio de amor, confesso, mas todo ele está preso."

Visão Antiga


    Gerações de pessoas passam suas vidas inteiras se perguntando para onde ir. Gerações de pessoas passam suas vidas inteiras procurando o amor. E mais gerações de pessoas passam suas vidas inteiras questionando respostas sem responder suas próprias perguntas.
    As vezes, mas só as vezes, eu vou te confessar que gostaria de ir para um desses lugares onde você fica em total silêncio, tipo um templo budista, cheio de monges, meditações, plantações de flores e frutos, admirar a natureza e o crescimento desprovido da vida que simplesmente, acontece.
    Não vou dizer a você que a vida flui por uma obra do acaso. Mas a vida rege, se você parar pra pensar, sem pedir permissão. De qualquer maneira, a vida continua, e uma porção de coisas acontecem todos os dias, as vezes as mais insignificantes, sem nem serem percebidas. E pessoas não são percebidas, as flores que brotam, as aves que voam, o céu que descolore e pinga, ou as avenidas vazias vezes tão cheias.
    Passar uma vida inteira obrigando os fatos a ocorrem. Obrigando o amor a acontecer, se questionando “quem sou eu? Quem é você? Quem somos nós?”. Eu acho que a esse tipo de pergunta eu nem quero saber. Se eu soubesse ia acabar acreditando nesse rótulo de o que e quem eu sou, e seria bem provável de me assustar dia ou outro por me descobrir errada.
    Certo dia eu disse para um amigo que eu queria muito voltar a ser criança. Desacreditando ele disse que não, ele não queria, que tudo antes era ruim, quando criança, e que hoje ele tem uma liberdade infinita de fazer qualquer coisa e de ir para onde quiser. Eu não quis dizer para ele que ele estava certo, mas na verdade ele não entendeu meu ponto. Porque eu adoraria não era bem voltar a ser criança, era sim uma fase ótima, as brincadeiras, os pincéis e colocar uma roupa doida sem que te taxassem de estranha, o que eu quis dizer de verdade é como a gente vê o mundo quando é tão pequeno.
    Parece que quando a gente cresce ficamos mais duros, mais cheios de descrenças e começamos a rotular tudo como se andássemos por ai com uma daquelas maquininhas que colocam preços nos produtos do supermercado. E escolhemos o que vamos ou não gostar e o que odiamos e o que amamos e a quem amamos, sem nem mesmo lembrar que devemos amar todos. Quando eu era pequena, achava que tudo era possível, que o mundo era gigante, que as coisas eram feitas sempre por obras mágicas e lindas e surreais.
    Me pergunto então qual o motivo de amadurecermos e virarmos essa massa dura que ninguém consegue tocar dentro e moldar algo bom e bonito. Qual é a graça de ver o mundo sobre uma superfície de rótulos, de perguntas praxes com respostas prontas e nem se quer tentar ousar?
    Decidi que seria ótimo ir para um templo budista sim, mas enquanto eu não vou começarei a praticar minhas próprias filosofias em casa mesmo, algumas horas de silêncio por dia não irão me matar, começar a amar aquele alguém me fez muito mal também não. E começarei a acreditar em paz, de espírito, paz mundial, a acreditar em fadas, sereias, reinos distantes, planetas tingidos de uma borda lírica e fantástica a bilhões de distância de nossa galáxia. Começarei a crer no amor, eu prometo. E me darei o direito de ser feliz. Sendo eu o que sou ou a eterna criança que tem dentro de mim.



Annabel Laurino