quinta-feira, 20 de setembro de 2012

All My Love


    Então eu deveria ter medo de caso você deixasse de me amar? Bem, desculpa vai, mas eu não tenho. E talvez eu nunca tenha. Não sei como ser assim, obsessiva com algo que simplesmente não exige de força para que exista.
    Seria a mesma coisa que obrigar um peixe a respirar fora do aquário por um tubo de oxigênio, seria manobrável, útil, utilizável, etilizado e bruto. Obrigar a lei das coisas que simplesmente fluem por que assim são.
    Não vou dizer pra você que você sabe onde é a porta e que pode ir embora a hora que quiser, porque já é um fato que você sabe onde é a porta e o outro fato é que eu não quero que você vá embora. Mas entre o meu querer e a simples força do universo, eu não obrigarei você a ficar aqui do lado, dividindo a astral de um dia ruim ou bom, quero você aqui por inteiro, você querendo, você ficando porque quer ficar mais do que um futebol com os amigos ou uma partida de videogame, uma festa qualquer, uma loucura de final de semana.
    Eu não vou te ligar de cinco em cinco minutos para saber onde você está e com quem você está e só pra saber se você ainda me ama como me amava a cinco minutos atrás, desde que nos vimos. E nem vou dizer pra você que seu sábado é só meu, que você tem a obrigação de me ver.
    Sei que parece que não me importo, desse jeito. E nem é isso. Eu me importo sim, eu reparo sim. Eu analiso todas as tuas formas, tuas faces, felizes e tristes, e sei quando tua mente ta bagunçada, quando ta levinha e arrumada, já gravei na memória tua risada alta e sei como meu cérebro corresponde muito feliz quando registra teu sorriso na minha retina. E não quer dizer que eu não me importo só porque eu não controlo o quanto de amor você tem por mim e até onde ele pode durar.
    Acho que as coisas leves, meu amigo, funcionam melhor, elas duram no tempo sem registro ou obrigação de espaço, elas crescem, inflam, flutuam, rodopiam, deixam marcas e lembranças e quando a gente percebe elas nos acompanharam a vida inteira, porque simplesmente cresceram com um cuidado e amor diário, sem cobranças futuras e exigências extremas, elas respiraram como deveriam, sem mais, sem menos, e fluíram.
    Se você parar para ver, a maioria do nosso caminho até aqui, surgiu assim.



Annabel laurino.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

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“Falando sério, tenho andado bastante sozinho, sobretudo ultimamente. É um tempo de agitações, de ímpetos de impaciência, ansiedade e mau humor. Contando com a resolução das coisas, que chegue logo um futuro que sei que virá, sabendo que nada mais depende de alguma ação minha. Só da minha habilidade em esperar. E isso me lembra que não há mais com quem contar, além do tempo. Que ando meio sozinho e assim eu quis, de certa forma.”



Gabito Nunes

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"E eu sou crua, penso mais em mim. Chamam de egoísmo o que eu denomino defesa própria, ninguém pode ter em suas mãos o direito de me fazer chorar, por motivos tão minúsculos e eu ainda consentir. Não, sou fechada a sentimentos desde que sejam provados, deixei de acreditar na farsa que é o eu te amo, dito tão firmemente que quase me fez acreditar que era verdade. Sou a favor das atitudes e da felicidade, vivida e não falada. Trago um peito cheio de amor, confesso, mas todo ele está preso."

Visão Antiga


    Gerações de pessoas passam suas vidas inteiras se perguntando para onde ir. Gerações de pessoas passam suas vidas inteiras procurando o amor. E mais gerações de pessoas passam suas vidas inteiras questionando respostas sem responder suas próprias perguntas.
    As vezes, mas só as vezes, eu vou te confessar que gostaria de ir para um desses lugares onde você fica em total silêncio, tipo um templo budista, cheio de monges, meditações, plantações de flores e frutos, admirar a natureza e o crescimento desprovido da vida que simplesmente, acontece.
    Não vou dizer a você que a vida flui por uma obra do acaso. Mas a vida rege, se você parar pra pensar, sem pedir permissão. De qualquer maneira, a vida continua, e uma porção de coisas acontecem todos os dias, as vezes as mais insignificantes, sem nem serem percebidas. E pessoas não são percebidas, as flores que brotam, as aves que voam, o céu que descolore e pinga, ou as avenidas vazias vezes tão cheias.
    Passar uma vida inteira obrigando os fatos a ocorrem. Obrigando o amor a acontecer, se questionando “quem sou eu? Quem é você? Quem somos nós?”. Eu acho que a esse tipo de pergunta eu nem quero saber. Se eu soubesse ia acabar acreditando nesse rótulo de o que e quem eu sou, e seria bem provável de me assustar dia ou outro por me descobrir errada.
    Certo dia eu disse para um amigo que eu queria muito voltar a ser criança. Desacreditando ele disse que não, ele não queria, que tudo antes era ruim, quando criança, e que hoje ele tem uma liberdade infinita de fazer qualquer coisa e de ir para onde quiser. Eu não quis dizer para ele que ele estava certo, mas na verdade ele não entendeu meu ponto. Porque eu adoraria não era bem voltar a ser criança, era sim uma fase ótima, as brincadeiras, os pincéis e colocar uma roupa doida sem que te taxassem de estranha, o que eu quis dizer de verdade é como a gente vê o mundo quando é tão pequeno.
    Parece que quando a gente cresce ficamos mais duros, mais cheios de descrenças e começamos a rotular tudo como se andássemos por ai com uma daquelas maquininhas que colocam preços nos produtos do supermercado. E escolhemos o que vamos ou não gostar e o que odiamos e o que amamos e a quem amamos, sem nem mesmo lembrar que devemos amar todos. Quando eu era pequena, achava que tudo era possível, que o mundo era gigante, que as coisas eram feitas sempre por obras mágicas e lindas e surreais.
    Me pergunto então qual o motivo de amadurecermos e virarmos essa massa dura que ninguém consegue tocar dentro e moldar algo bom e bonito. Qual é a graça de ver o mundo sobre uma superfície de rótulos, de perguntas praxes com respostas prontas e nem se quer tentar ousar?
    Decidi que seria ótimo ir para um templo budista sim, mas enquanto eu não vou começarei a praticar minhas próprias filosofias em casa mesmo, algumas horas de silêncio por dia não irão me matar, começar a amar aquele alguém me fez muito mal também não. E começarei a acreditar em paz, de espírito, paz mundial, a acreditar em fadas, sereias, reinos distantes, planetas tingidos de uma borda lírica e fantástica a bilhões de distância de nossa galáxia. Começarei a crer no amor, eu prometo. E me darei o direito de ser feliz. Sendo eu o que sou ou a eterna criança que tem dentro de mim.



Annabel Laurino

terça-feira, 18 de setembro de 2012

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"Hoje ele veio me falar das flores. Das flores, do jardim, das estações, do rio que corria em sua vida, do medo. Hoje ele veio me falar de expectativas. Dessas que a gente sufoca o outro sem ver, miudinhas, rotineiras, demasiadamente fantasiosas."




segunda-feira, 17 de setembro de 2012

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“Sou egoísta, impaciente e um pouco insegura. Cometo erros, sou um pouco fora do controle e às vezes difícil de lidar, mas se você não sabe lidar com o meu pior, então com certeza, você não merece o meu melhor!” 



 Marilyn Monroe

domingo, 16 de setembro de 2012

Todo Amor que Houver Nessa Vida



Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia

E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia

E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não

Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria


Cazuza

sábado, 15 de setembro de 2012

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Eu acho que amo uma complicação do tipo desnecessária, situações que eu entro sem pensar e dai quando eu vejo fico nessas sem saber pra onde ir.


Annabel Laurino

Come on !



    Seria um máximo se a gente socasse nossas coisas, nossas tralhas, no porta-malas e partisse logo quando o sol amanhecesse amanhã. Se a gente tivesse um carro. Nesse caso, a gente jogaria uma mochila nas costas e voaria daqui, dessa cidade cheia de princípios antigos e gente de mente pequena e rostos conhecidos desde que saímos da maternidade. Vai, eu aposto que você era o bebê ao meu lado na sala do maternal, berrando sem parar. Isso explicaria muita coisa, destino, fado. Como dizia Cazuza, nossos destinos foram traçados na maternidade. E por que não?
    Queria te dizer tantas coisas, mas dizer ocupa tempo no espaço cheio de adornos eloqüentes que vivemos hoje, melhor mesmo é deixar a musica doida e agitada tocar alto nos auto falantes enquanto a gente se curte sem medo, planejando uma emboscada qualquer, uma fuga divertida no meio da noite, sem deixar bilhete na geladeira.
    Não faz sentido essa gente chata por ai e seus padrões ironizados e ultrapassados. Eu mesma, já tentei tantas vezes adentrar em um desses padrões, mas eu tão baixinha, acinturada e quadris largos simplesmente não entro nessa história. Falando sério, to legal assim, fazer o que. A mente Ta boa, te garanto. E no fundo é o que importa mesmo. Só queria mesmo era ficar longe dessas coisas todas.
    Um final de semana na praia, alugando um quarto barato, saindo pra caminhar nas manhãs ensolaradas de nuvens meio brancas celestiais ia renovar nosso espírito, quem sabe eu até me descobrisse. Quem sabe até esses sonhos loucos, esses pesadelos constantes cheios de insignificados, gente que desconheço e pressões súbitas de realidade onde me vejo presa sem conseguir acordar, passassem.
    Passaríamos um final de semana longe de tudo, vendo as ondas quebrando, os pássaros e os bichos estranhos na auto estrada, as arvores verdíssimas e o asfalto cinza aglutinado na paisagem da janela do primeiro ônibus que iríamos pegar pela manhã. Conheceríamos uns caras loucos que nos apresentariam a mais um monte de amigos mais doidos ainda e que nos chamariam para uma social, nos contariam histórias trágicas sobre suas viagens malucas em meio ao mundo e essas coisas meio blá.
    Pode parecer loucura, mas eu ficaria até bem. Seria bom, não acha? Podíamos nadar nus em uma praia paradisíaca e ter as roupas roubadas, nos perder, ficar sem grana e ter que ganhar um dinheiro em um trampo de meio período no fast food gordurento da auto estrada. Que acha? Tranqüilo? Aventura de mais pra você? Prometo que depois de um mês a coisa engrenava e a gente dava no pé daqui para a Sicilia, ou Marrocos, Egito, Arabia Saudita, Sudão e tal.
    E então, vamos? Pega suas malas ali, coloca aquelas suas meias quentes, pode fazer frio, não esquece da máquina fotográfica e das camisetas abarrotadas. To te esperando nessa espreitada, um beijo.



Annabel Laurino.



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Gosto do meu individualismo, só me encontro dentro dele, lá fora cansei das pessoas trocarem ideias, mentiras, vantagens, idiossincrasias. Não importa o quanto me fazem rir e sentir um pouco mais distante da morbidez. Vocês sempre terminam me magoando quando servem-se de metade, só um pedacinho de mim.

Gabito Nunes