sexta-feira, 27 de julho de 2012

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"Daquelas que namoram como crianças, como se fosse seu primeiro beijo. Daquelas que ocupam seu tempo e pegam na sua mão bem rapidinho, deixando milhares de desejos. Daquelas que sem querer treinam seu subconsciente para agradá-las, mas é tão bom vê-la sorrindo que você vai pelo impulso de satisfazê-la, tão menininha ela que você precisa dessa sensação. Que ciclo de infantilidade mais vicioso. (...) você precisa de uma dose dela diariamente. Pode evitar três dias, mas no quarto você já está em contagem regressiva para tê-la. Aquela menina com expressões faciais de criança, que você quer apertar até ela gritar: - Sou sua, sou sua."

Tati Bernardi

quinta-feira, 26 de julho de 2012

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“Não quero um relacionamento sério. Já passei por isso. Quero um relacionamento onde eu possa rir o tempo todo.” 

Gabito Nunes

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“Agora é assim, primeiro eu. Quem não gostar das regras, não joga. Tô feliz, acredita? Olha só a ironia, fui buscar o amor e já tinha. Fui tentar ser feliz e já era. Fui tentar me encontrar e me perdi. E, que loucura, precisei me perder pra me valorizar.”


Tati Bernardi

quarta-feira, 25 de julho de 2012

E como seria o mundo se no mundo não tivesse a gente?

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“Se acalma pequena, quem foi feito um para o outro o destino dá um jeito de unir. ”


Caio Fernando Abreu

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"É preciso acabar com esse medo de ser tocada lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso."




Caio Fernando Abreu

terça-feira, 24 de julho de 2012

O Amor Mais Bonito


    No instante que me iludo, é quando você me esquece. Quando volto à tona, você mergulha nos meus olhos. Se eu te roubo rosas vermelhas, você faz "bem-me-quer". Quando hesito, é quando você já está na estrada.
    Se me perco no teu beijo, você fica tentando encontrar um caminho. Quando me encho de receio, você me diz estar pronta. Eu te ponho em xeque-mate, você me diz que cansou de jogar. Quando não quero me machucar, você me telefona no meio da noite.
    Eu vejo o sol nascer no mar, você se preocupa em não molhar os pés. Quando eu não durmo, é quando você sonha loucuras sobre nós dois. Quando sinto teu gosto na minha boca, você pede economia nos clichês. Se não quero parecer patético, você se diz um poema apaixonado.
    Eu quero parar o tempo, você procura seu relógio embaixo da cama. Quando me escondo, é quando você me quer em cima de você. Se apresso meu passo na sua direção, você engata a marcha ré. Quando reuno meus pedaços, você dá o coração para bater.
    Eu deito no seu colo, você se preocupa em fechar a janela. Quando me poupo, é o instante que você se dá de graça. Se ando em alta velocidade, você conta os níqueis pro pedágio. Eu perco as chaves, você insinua mudar pro meu apartamento.
    Um amor físico, fatídico, real, raro e patente. Um amor que nasceu, mas nunca viveu. Um amor que aconteceu, mas não foi ocupado. Daquelas comédias românticas que ninguém tem tempo de rir, pois já começa pelo final. Os amores mais bonitos são aqueles que nunca foram usados.


Gabito Nunes

domingo, 22 de julho de 2012

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Embora ainda ninguém compreendesse esse fato retórico, quando deixada muito distraída tinha a tendencia saborosa de sentir outros perfumes e de querer segui-los em dessabores. Sumia e ressurgia com uma liberdade de espirito quase invejável. E as vezes, pois ai então eram o buraco escuro cujo os que se encantavam por aquela estranha moça sempre se perdiam, é que ela podia não voltar. Quando deixada muito desatenta de atenções extremas, sentimentos mirabolantes, paixões ardentes, vida brilhante, entendiada, procurava outras curvas onde pudesse se perder, e despedaçava corações com o cuidado de um elefante recém desperto.

Annabel Laurino.

Let it Be


  Vais dizer que não faz falta? Altas da noite e você deita na cama abraçando o próprio corpo. Aquela estranha sensação de vazio por dentro e que transborda, de dentro para fora. Abraçando-se, aquele silêncio que afugenta pelo seus pelos dos braços em inteiro. Fica aquela musica de fundo com a voz de John Lennon dizendo Let it Be.
    Será que algum dia a gente encontra alguém que completa a outra remenda de pele da gente? Será que vai demorar muito?
    Tão difícil ter aquela química, aquela sensação de conjunto formando-se quando se abraça, quando se toca, vagarosamente. Como coisa fácil que cresce sem medo e enfia a cabeça para fora da toca, como coisa viva que respira lentamente, e cresce sem demora, sem dor. Fácil.
    Fico me perguntando onde está esse lado metade que me fará sentir sensações inéditas. Onde está os cabelos que desgrenharei com voracidade em meio a uma beijo, arrancando mordidas dos lábios, apertando os sulcos da carne. Onde está o sorriso que me fará sorrir sem parar em meio ao entrelaçar de pernas jogados em uma cama quente, onde está o cheiro que será o lar, o aroma da casa com lareira acessa, haliantos na janela e mesa posta para o café da manhã.
    Não preciso dizer que precisa-se também do calor do corpo que aquecerá a alma, por que é isso que importa de verdade. O calor real de um outro alguém, esquentando nossa alma e fazendo nosso corpo esquecer a vontade de ficar sozinho.

Annabel Laurino 


Des-espera

    Não esperar nada, de ninguém. Isso tem ajudado tanto, feito tanta diferença ultimamente. Cargas mais leves e fluidos melhores. Sem pesos que não se consiga suportar, e agora todos os pesos são somente meus. De mais ninguém. As mãos continuam quentinhas e quietinhas dentro dos bolsos sem manifestar qualquer gesto adiante para carregar as malas pesadas de alguém. E não é isso o que todos sempre pedem? "Não cuide de mim, eu me viro sozinho, você não pode resolver tudo por mim...". Segui o conselhos elementares meu caro. E agora, egoismo ou não, eu sigo em frente sem olhar para os lados, por que é isso que todos querem. Que você não se intrometa, que você não tente cuida-los. Acho que todos nós no fundo queremos seguir com as nossas próprias ideologias para algum lugar qualquer, mesmo que um lugar de nada, a gente não quer ninguém na nossa cola dizendo o que devemos ou não fazer. E tanto faz na verdade. Fico apática a qualquer coisa, qualquer movimento muito próximo.
   Não vou mentir. As vezes queria tantas coisas, tantas atitudes das pessoas, que nunca vêem. Queria tanto que alguém um dia dedicasse uma musica em meu nome, ou que escrevesse sobre mim. Queria tanto ver uma dessas coisas assim, alguém se esforçando por mim, jogando todos seus medos, seus traumas, suas falhas, seus vazios, mudando, escalando montanhas, só para estar perto e então ficar.
   Faz parecer que se pede um milagre, quando tudo que eu peço na verdade são as mesmas coisas que doou desproporcionalmente. E fico só. Sempre só, esperando.
   Foi dai então a ideia de virar um cactus gigante e verde, e cheio de apatia e indiferença e não esperar nada e nem mesmo mais contar os dias. Não revolucionou grandes diferenças, as coisas continuam a não chegar, mas dói menos. Quase nem sinto nada. É mais fácil.

Annabel Laurino