quinta-feira, 7 de junho de 2012

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Acho que essa coisa toda de tentarmos ser o que não somos, só para agradar, desagrada tanto. Estraga tudo.




Sentimental Heart


Oh, velhos hábitos são mais difíceis
Quando você tem, quando você tem um coração sentimental
Pedaço de um quebra cabeças
E você é a parte que está me faltando
Oh, o que você pode fazer com um coração sentimental?
Oh, o que você pode fazer com um coração sentimental?



Zooey Deschanel 

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segunda-feira, 4 de junho de 2012

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“Pois de amor andamos todos precisados! Em dose tal que nos alegre, nos reumanize, nos corrija, nos dê paciência e esperança, força, capacidade de entender, perdoar, ir para a frente! Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo ou presenciando.”


Carlos Drummond de Andrade 

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Agir, Eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, E não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem ali?



 Fernando Pessoa

domingo, 3 de junho de 2012

sexta-feira, 1 de junho de 2012

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Eu não sabia o que eu sentia, nem como estava sentindo. Era tão vasta a explicação. Poderia passar horas tentando de alguma forma, superficial nem que fosse, elucidar o que sentia. Mas passariam as horas e eu não saberia explicar. Além de não saber o que sentia, não sabia como sentir. Como se pela primeira vez na vida me deparasse com um objeto estranho e não soubesse manuseá-lo. Não sabendo como sentir, nem o que sentia. Porém sentindo muito. Oras,como senti.

Annnabel Laurino

quinta-feira, 31 de maio de 2012

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Eu tive tanto amor um dia. 






 Caio Fernando Abreu

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A vida não é apagável, pensei. Nem volta atrás. Ainda não construíram a máquina do tempo. Ninguém virá em meu socorro. Faz tanto tempo que invento meus próprios dias. Preciso começar por algum ponto.
”
— Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A visão das lentes embaçadas de eternidade


    Era um eterno agudo aquele. Tingia fino, na janela que eclodia toda a chuva. No céu escuro, o mundo jazia em caos. Dentro do quarto a eternidade fotografou o segundo. Que pendeu como gota d'água nos lábios da moça. Lambeu a gota. A gota sumiu na língua quente. As mãos que tocavam as suas, eram mãos quentes. 
    A eternidade sentava-se ao lado, de vestido longo, óculos de aros de tartaruga, tinha duas covinhas acima de cada sobrancelha, analisava a cena, curiosa. A gota que entrou pelos lábios da moça, escorreu por um de seus olhos que brilhava irradiante. O sol rugiu e o rapaz das mãos quentes soprou um murmúrio doce, a eternidade curvou-se para frente, faminta, com sua máquina fotográfica entre as mãos, estava ávida pela cena. O rapaz tinha belas sobrancelhas negras, a moça, belos ombros redondos e pequenos. O rapaz a puxou mais para perto. O mundo se desfez numa entoação múltipla, não tinha importância se acabasse, na verdade. A eternidade rabiscou em sua caderneta vermelha, arrumou o óculos que pendia pela ponte de seu nariz pequeno, o óculos muito grande para seu frágil rosto de formiga. A moça e o rapaz, como duas cores sendo misturadas em um galão de tinta, difundindo-se em mesclas de pedaços de pele, um tão preciso do outro.
    Ambos, não sabiam da eternidade, naquele momento tão especial, não sabiam sequer de sua pequenina presença ali. Não imaginavam que a eternidade estava naquele exato momento registrando tudo com suas minúsculas mãozinhas, uma disparando os momentos, a outra aguçando febril na ponta de uma caneta no papel. 
    A moça soluçou, doíam-lhe esses momentos de adeus. O rapaz soprou novamente, fazia isso quando contia fortemente o choro.
    A eternidade parou seu trabalho, não sabia se tocada pela cena, ou se cansada por exaustão, na verdade, era alguém muito sensível, que ninguém compreendia. Por ora, já havia registrado demais, estava gravada sua pequena parte naquele momento, um segundo. Um pequenino segundo. Como a gota escorregando frágil na janela do quarto. E o casal nem sabia de sua presença. Como um bilhão de gotas, em meio a uma variável de segundos, a eternidade eclodiu naquele momento, em tantos outros. Explodindo como alguém metendo o pé numa poça. Não sabia se era o pé que explodia a poça, ou era a poça que era explodida pelo pé. A cena embaçou-se. Não pelos olhos chorosos da moça, não pelo frio cortante. Eternidade havia partido. O sentido se desfez. 
    Ah, a eternidade. Coisa frágil essa. 


Annabel Laurino.