sábado, 11 de fevereiro de 2012

Para-fraseando, ceando, ando, andando, indo

Não eu não acho que você tenha permissão para arrombar aqui o meu espaço. Para me fazer perguntas, para me exigir respostas. Não, quando eu não tenho resposta alguma. Não, quando eu sou a própria pergunta em ser vivente retorcido cujo ao ponto se desvira à curva no ar e retoca firme ao fim de um ponto. Sou a interrogação em pessoa. As perguntas movem o mundo. Eu movo o mundo. Eu movo, me movo, movo você. Você move? Move o que? Move somente ou também move, como comove. Comove quem? Você?

Annabel Laurino

NEW YORK, NEW YORK


Start spreading the news
I'm leaving today
I want to be a part of it
New York, New York

These vagabond shoes
Are longing to stray
Right through the very heart of it
New York, New York

I wanna wake up in a city
That doesn't sleep
And find I'm king of the hill
Top of the heap

These little town blues
Are melting a way
I'll make a brand-new start of it
In old New York

If I can make it there
I'll make it anywhere
It's up to you
New York, New York

New York, New York
I want to wake up
In a city that never sleeps
And find I'm a number one, top of the list
King of the hill, a number one

And... if I can make it there
I'm gonna make it anywhere
It's up to you
New York, New York

  - Frank Sinatra



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O importante, o irreversível, o definitivo, o claro nessa história toda é que eu gosto muito de ti. Muito mesmo. Não adoro, nem venero, mas gosto na medida sadia e humana em que uma pessoa pode gostar de outra. O resto é detalhe.


(Caio Fernando Abreu)


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Opostos, Compostos.

 Ela escuta Nirvana, ele escuta Projota.
 Ela lê livros, ele joga The Sims.
 Ela não fala palavrão, ele fala.
 Ela é romântica, ele é carnal.
 Ela sonha, ele inventa.
 Ela estuda inglês, ele sabe sobre informática.
 Ela usa óculos, ele também.
 Ela escreve, ele digita.
 Nada superficial e nem a fundo.
 Apenas uma reentrância da contrastes
 Que por alguma explicação
 Se unem.

Annabel Laurino.

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Olho pra gente, meses atrás, sorrindo em fotos e vejo hoje, depois de milhares de pratos quebrados, móveis jogados pela janela, fotos queimadas e cartas rasgadas, não é muito lindo o que construímos até aqui?


Annabel Laurino.


Qual será a mágica que usas?


    E o que dizer? Você esteve aqui. A linha tele eletrônica que nos uniu por sons da voz, mesmo assim, pareceu algo tão próximo do físico que eu  até te senti aqui. Sentado ao meu lado, olhando nos meus olhos, tirando um peso imenso e perdurável de dentro de mim. Me senti tão bem, de repente bateu aquela paz, aquele riso no rosto veio tão manso e tão bonito que nem parecia mais eu, desde alguns minutos atrás.
    Que mágica é essa que usas sobre mim? Por acaso da tua boca saem fios de luz que me puxam como um solavanco, imperceptíveis fios, sem eu perceber? Ou será que nesse seu coração escondes de mim algum segredo bom, que por medo não me contas, mas desfrutas bem nas entrelinhas jogadas à pontinha de tua língua enquanto falas mansamente comigo, sobre mim?
    Não sei. Mas é muito bom te ter aqui, assim. E lindo me são os sorrisos que me vem quando me deixas nova, semeando em mim sementes de calma e paz. Eu digo, não vá nunca mais, fique aqui, não é lindo o que somos e o que seremos um dia?

    Annabel Laurino.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

é.


    Vasculhando um espaço dentre a tampa do pote de água que preenche lívido o vasto novo dia que amanhece sozinho, preguiçosamente deleitando-se na janela do meu quarto. Atirando-se sobre as almofadas de corpos vazios como vasos cheios de teias de aranha, poeira negra, crosta suja. Cansaço profundo. Falta. Sinto uma falta e não sei bem do que. Alguém me diz?
    São quatro da manhã. Quem disse que trabalho de escritor é mole, esta enganado. Meu amigo, é doloroso. Depois que você se entrega para essa vida, parece que não pode mais sair. Não tem como ir dormir, não da. As idéias ficam titubeando na mente como uma goteira num canto sorrateiro da casa. E de pingo em pingo vai incomodando a gente. Então eu levanto, tomo aquele café, prendo o cabelo, e vou sangrando os dedos nas margens de linhas dolorosas que vão esculpindo uma vida muito longe de ser a minha. Pinto um cenário, invento, uso a mente, choro junto, sorrio, acho graça e depois parece que um vácuo vai me sugando aos poucos. E quando acaba? Quando acaba rastejo até a cama e me jogo.
    Sinto falta de um braço quente envolto do meu corpo pequeno, acariciando minhas dobras, moldando gentil nas minhas curvas. Sinto falta de alguém sentado a minha frente, completo e total disposto a ouvir e entender todas as minhas idéias mais insanas. Mas, vou te contar que ta difícil ein. Parece que essa corrida contra a dor não tem fim. A saudade de coisas não para nunca. Lembro de pessoas que de certo nem lembram mais de mim. E é duro, sabe? Da uma vontade de voltar no tempo, de forma que se fosse possível eu até me jogava dentro de uma janela mágica, recém programa para dois anos atrás. Pronto. Eu estaria plena e lívida. Mas, pensando bem, talvez não. Eu gosto muito do que eu sou agora. Só não gosto muito de como eu fui ficar tão só. Daquele tipo de solidão que é por minha livre escolha. Eu escolhi essa solidão. Eu sei que vivo melhor assim. Me conheço também. Sei o quão destrutiva eu acabo sendo quando tenho alguém.
    Vezequando é bom beijar na boca de um desconhecido, bonito, nunca vi, nem ouvi falar, dou meu número de telefone errado, digo até logo e vou embora. Não me leve a mal, não sou promiscua. Porém, não sei, tem um cimento aqui dentro. Acho que me dediquei a uma vida que não é minha por tempo de mais. Acho que agora a realidade é um véu que eu só enxergo por trás deste. Enquanto todas as pessoas não, enxergam apenas o que vem.
    Tudo bem, faz parte. Um dia a gente se acostuma.




Annabel Laurino.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

FIXING A HOLE


Estou consertando um buraco onde a chuva entra
E bloqueia minha mente de viajar
Onde ela irá.
Estou fechando as rachaduras que apareceram pela porta
E bloquearam minha mente de viajar
Onde ela irá
Estou pintando um quarto de uma maneira colorida
E quando a minha mente está viajando
Lá eu irei
Estou tirando o tempo para um monte de coisas
Que não eram importantes ontem
E eu ainda vou
Estou consertando um buraco onde a chuva entra
E bloqueia minha mente de viajar
Onde ela irá


The Beatles 

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"Daqui a pouco tudo vai ser passado mesmo. Deixa o vento soprar... Let it be."


Caio Fernando Abreu

Alvo

    O amor? O amor é traiçoeiro menino. Pior que veneno, pior que qualquer chama ou brasa, pior que marca, lâmina afiada, arma ou até mesmo que um exército inteiro. É pura dor, é aflição no peito, é tipo marca, que não desmarca, dor que não passa, aflição que não alivia. É duro, mas é coisa que não se esquece.
    Já pensou ser marcado na pele, daquela marca com o nome da criatura e levar isso para o resto da sua vida? Pode até parecer que vezes ou outra aquela marca estaria a ponto de desbotar, mas é mentira, não desbota, não vai embora. E você lembra todo dia, como se fosse ontem. E ri e chora. E não passa.
    Calma menino. Amor é bom. Do tipo bom, daquele tipo que se você for esperto você vê e sai correndo. Mas, se for a grande maioria você fica tipo mosca morta estaqueado e capturado, indefeso. 
    Pensa só na pessoa que você mais ama. Esta pensando em esquece-la? Já fez milhares de promessas de nunca procura-la, não é mesmo? Já apagou o telefone dela da sua agenda um trilhão de vezes? Já disse que a odiava? E depois disse que não sentia mais nada? E depois disse que era só amizade? Quem sabe então você também deve ter se dito que nunca mais iria voltar atrás, que a vida sem ela é muito mais fácil, sim? Interessante. É, pois é. Se sim, se é fato que sim, sinto muito, você acaba de ser a mosca. Alvo difícil esse, bem vindo ao clube, não, não há instruções no rótulo dessa porcaria toda e não, não tem como esquecer. Engole o choro, quem se apaixonou foi você. Ninguém disse que amor era fácil, e sim bonito portanto é abuso querer que seja simples, não é mesmo?

Annabel Laurino.