sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

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"Não sei por que todos me adoram se ninguém entende minhas idéias."


Albert Einstein


Revérbereo

    Sensação reverberada essa. Meio que uma coisa tênue. Fruto pendido do galho da arvore, por uma liga fina quase fracamente e somente que se sustenta. Estava quieta aqui, pendendo dentre as bilhares de duvidas que assomam dentro da minha mente, e convicta de que uma razão simples poderia de fato existir. Tornar assim as coisas mais fáceis, ou simples, ou simplesmente simples, mas não simplificadas, por que ao todo perderiam a graça.
  O que eu quero mesmo dizer, é que eu estava aqui, parada, ouvindo a reverberação tênue do ar, do vento solto no cabelo, brincando de cambalhota entrementes com os meus fios dourados até que de repente uma coisa pesada, um fruto da arvore caiu sobre minha crista e eis que bati a porta da vida, tão alegre e mansa como um  filhote de leão perdido, porém sedento de sua inevitável e real natureza. Então, abri a porta e entrei no mastro espetáculo de acontecimentos, e abri um livro e mais milhares de livros, e eis que me perdi como não esperava me perder, porém descobri coisas, e possuo segredos, e tenho medos constantes. Suspeito quase sempre que se começasse a falar, ou escrever, sobre todos eles, ninguém acreditaria e me diriam como louca, e eu não ligaria, não importa afinal, são apenas fatos.
     Nada que passe de uma reverberação nervosa titubeando no mastro do navio em alto mar, ou como queira pensar, do peitoril da janela em uma triste e azeda manhã de março. Tanto faz. Há coisas que são para serem vistas, sentidas, e assim acreditadas, porém, poucas são vistas que se dirá sentidas ou de fato creditadas de um pouco de fé.
     Eis que sou uma delas.


Annabel Laurino.

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Pode ser que um dia deixemos de nos falar...
Mas, enquanto houver amizade,
Faremos as pazes de novo.



Albert Einstein


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Não ir, ir, ficar, sair, desistir. Tentar.

- Então se é para ser assim, me desculpe, eu desisto.
- Desiste? - perguntou atônito.
- É isso mesmo, eu desisto. Com prudência ou não, mas como pode ver estou indo embora.
- Peço-lhe, não vá.
- Eu vou.
Tristemente um retumbante silêncio se fez dentre eles.
- Espero que se lembre de que mesmo indo embora a história não acaba aqui.
- Ora, seja especifico que o tempo branda.
- Digo, a história, nossa história, viverá acessa dentro de você todos os dias.
- Como podes ter certeza disso?
- Eis que se for de verdade viverá, mesmo que se passe dias frios e chuvosos, ainda assim, como chama quente no inverno rigoroso ela acenderá brilhante, e no verão úmido descobrirás que ela não de desfalecerá pelas imensas inundações. Saberás disso, se for verdade. Agora, pode ir.
[silêncio]
- Me deixas ir?
- Não, nunca.

Annabel Laurino.

Ardência pura. Ciumes cruel, falta insana. Jaz aqui.

    E o que te dizer? Se tenho ciumes só de pensar que guardas tua fala mansa para outro alguém que não eu? Que ligas teu telefone não pensando mais em me ligar, mas ligar para outras pessoas? Pessoas novas ou velhas que do nada rechearam a tua vida no lugar do espaço que eu ocupava antes. Não sei, pode ser bobagem. Tenho medo de parecer pra você alguém insignificante. Em parte por que necessito desse espaço vital na sua vida, em parte por que quero ser para você na mesma medida de importância que você é para mim. Não quero ser o seu 'era e não é mais', virar possibilidade, ou cartão postal jogado dentro da gaveta, empoeirado e perdido, desbotado.
    Tenho falta sua meu bem, mas é uma falta tão cursiva que as vezes dói por que não sei como estanco essa falta. É do tipo, "me deem água que dentro de mim nasce um deserto Saara, mas muita água, água pra valer", mas trazem-me um misero balde de água morna, esquecendo do deserto que há aqui dentro. Não cessa, não cura. Mas dói nessa ausência ribombante que fica girando dentro do peito, ocupando um espaço que não cabe quase nada. E agente acorda todo dia pensando que pode ser diferente, e o passado ali do seu lado, feito garra negra apertando sua mão, aperto frio. E da uma saudade, uma saudade louca do tempo em que tudo fazia um sentido imenso sem nem fazer esforço. Da saudade de tudo, do abraço, do cheiro, do toque, das musicas, dos risos, das brincadeiras. Da saudade. Da ciumes. Dói pensar que tudo o que eu fui pra você agora, não sou mais e não tenho mais importância.
    Ou tenho?
    Bate a porta e grita, chama, diz que tenho, diz que ama. Mesmo que seja incerto, mesmo que a chama seja curta, mesmo que o céu extingue, não tem problema. Só não deixa esse amargo sabor aglutinar na boca e se perder nos ponteiros negros do tempo. Não deixe.
 

Annabel Laurino. 

domingo, 29 de janeiro de 2012

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 O mundo acaba hoje, eu estarei dançando
  O mundo acaba hoje eu estarei dançando, com você.


Agridoce


sábado, 28 de janeiro de 2012

Trasparente.

    É melhor criar um outro mundo, uma outra história, do que conviver nesse real intangível. É mais fácil dedilhar os dedos no teclado do computador de forma involuntária e simplesmente deixar com que os fios deslizantes de uma nova história se enrosquem num novelo magicamente novo de uma trama, um romance, uma aventura. Distantes de tudo que parece ser real e profundamente fatalístico, tendo de ser assim.
    As vezes eu amo a realidade, parece fria, dura, mas no meio desse metal acromático e dessa gélida camada há também momentos que nos fazemos injetados por injeções lividas de ilusão. Quando surge alguém. Ou quando em momentos de danças, dançando, dizendo não ligo para nada e nem para ninguém.
    Quando o efeito acaba lá está o coração apossado e transbordante da realidade gélida e dura. Dureza essa. Dorme bastante que passa. Come quase nada pra não se sentir mais pesado. Fica escrevendo coisas sem sentido e força um significado só para ver se alguém lê, se alguém se digna a prestar atenção nos pontos pontilhados e reservados em cada final de frase, como um rastro descolorido.

Annabel Laurino. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Mansa

Vai tentar ludibriar novamente?
Vai fazer sempre o mesmo jogo?
Garoto, esta na hora de mudar de tática.
Meu passo é leve.
Minhas curvas, onduladas e frias.
Sou pequena, nem tamanho quase eu tenho.
Não ocupo espaço.
Apenas me deixe viva na soleira dos teus braços.
Não fará mal nenhum.
Deixo quente o toque.
Você passa as luvas brancas da sua pele fria sobre suas pernas ferventes.
Nervoso.
Eu marco você.
Marco fundo.
E você nem percebe.
Está distante, perdido na fala mansa que jogo em cima dos teus ouvidos, não prometo nada.
Mas falo bonito.
Não tem como negar.

Annabel Laurino. 


Carnaval de Frutas

   A cada dia que passa me convenço mais de que nessa vida ninguém pode substituir ninguém. Não importa o quanto você tente, não importa o quanto os dias lindos de verão se mostrem abertos para você como portas douradas cintilando de raios quentes e reluzentes, e que as oportunidades surjam, e que você se sinta mais livre, mais solta, e que você beije outros lábios por ai, e que você deleite em outros braços por ai, e que você tenha outras conversas vazias ou construtivas por ai. Não importa. É a única convicção que você toma depois quando descobre que não importa mesmo, não tem jeito, ninguém substitui ninguém. E dói um pouco, uma dor daquelas que você sabe que o único consolo é a tentativa eterna de procurar reverter esse resultado, mesmo sabendo que você está fadada á não conseguir. Aperta o peito, da vontade de gritar. Mas você sabe, pode até ser que encontre pessoas melhores, que seja melhor, mas não é igual. Nada é igual. E não se trata do que você recebe, dos risos, dos olhos, do corpo, da pele, da maneira e tudo mais, mas da forma como você se sente dentre tudo isso. Não é você de verdade, como era naquele tempo meio distante. 
     Da vontade de ficar na frente da televisão para o resto da vida, beber café amargo e assistir ao plantão de noticias como se estivesse vendo o anuncio do tempo para o final de semana. Da vontade de não tentar mais. De não tocar mais em ferida alguma, de deixar como está, de morrer por dentro, por fora, por cima, pelos lados. Mas você sabe que não da. Que as feridas tem que cicatrizar, que a vida segue, que tudo segue, que a saudade é viva, que machuca, mas você banha ela todos os dias com pingos de dignidade. Já doeu uma vez, agora você só pode se matar um pouco mais em outros alguém. Não tem jeito. 
     Mas a verdade inconveniente vem sempre pronta e macia, como uma sobremesa de Carnaval de Frutas a sua frente: Aqui está, perceba, ninguém substitui ninguém. E reluz lindamente colorida, doendo muito, você engole em seco e segue fingindo não sentir nada. Uma colherada doce de cada vez. 


Annabel Laurino. 

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    Como Alice, as vezes a gente meio que se coloca em situações que são tão tentadoras, tão puramente deliciosas e que chamam instantaneamente a nossa atenção. Só por que tudo parece um pequeno biscoito delicioso, suculento, pode ser muito saboroso. O que ele faz? Qual será seu efeito?... É por ai que começamos a nos perder em uma loucura cada vez mais instigante e vertiginosa. Sem nem mesmo perceber. E cada vez que vamos adentrando mais na história, mais nos perdemos. Pode ser divertido. Pode ser delicioso. Pode ser um sonho. Pode ser fatal.

Annabel Laurino.